"A palavra como epifania redentra
Como Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu pertence ao grupo dos escritores que transcendem a literatura. Suas palavras, elaboradas, lapidadas, fruto de grande trabalho intelectual, não cabem na folha branca, onde tudo começa para um ourives da linguagem escrita. Caio escreveu para a vida mesma de seus inúmeros leitores, quer incidir no comportamento de quem o lê, revirar certezas absolutas, introduzir a transformação catártica daqueles que buscam sua obra. É uma obra vasta, diga-se. Contista de mão cheia, alguns de seus livros mais importantes trazem alguns dos contos mais surpreendentes da língua portuguesa. Na sua literatura, cabe tudo - menos a caretice enrijecida do olhar monocromático de quem tem suas certezas asseguradas em defesas comportamentais. Caio quer o salto sem rede, o precipício, o perigo iminente. Sua rede de segurança é a sinceridade humana possível, único elemento que pode redimir e redimensionar a vida que nos cabe. É esse o traço mais impactante de sua escritura: a sinceridade absoluta, a cumplicidade com todos os eus possíveis do ser humano, um olhar de atrevida compaixão pelas mazelas dos deserdados, a simpatia sem reserva pelos excluídos da vida perene. Caio tem a palavra como estilete afiado a cortar mediocridades defensivas, parágrafos inúteis, gente que olha sem ver o que o vasto mundo cruel oferece a cada um. Contista, cronista, novelista, transitava bem entre todos os gêneros, e não se prendia a nenhum, imprimindo excelência e humanidade em todos os parágrafos com sua assinatura..."
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